Dicas de Saude


O que é uma alimentação saudável?
Considerações sobre o conceito, princípios e características :uma abordagem ampliada.
Maio 2005

A alimentação não se delineia enquanto uma receita pré-concebida e universal para todos, pois deve respeitar alguns atributos coletivos e individuais impossíveis de serem quantificados de maneira prescritiva. Contudo, identifica-se alguns princípios básicos que devemreger esta relação entre as práticas alimentares e a promoção dasaúde e a prevenção de doenças.

Uma alimentação saudável deve ser baseada em práticas alimentares assumindo a significação social e cultural dos alimentos como fundamento básico conceitual.

A alimentação se dá em funçãodo consumo de alimentos (e não de nutrientes). Os alimentos têmgosto, cor, forma, aroma e textura e todos estes componentes precisam ser considerados na abordagem nutricional.

Os nutrientessão importantes contudo, os alimentos não podem ser resumidos aveículos destes.

Os alimentos trazem significações culturais,comportamentais e afetivas singulares que jamais podem ser desprezadas. O alimento como fonte de prazer também é uma abordagem necessária para promoção da saúde.

Neste sentido é fundamental resgatar as práticas e valores alimentares culturalmente referenciados bem como estimular a produção e o consumo de alimentos saudáveis regionais (comolegumes, verduras e frutas), sempre levando em consideração os aspectos comportamentais e afetivos relacionados as práticas alimentares.

O setor público precisa assumir a responsabilidade de fomentar mudanças sócio–ambientais, em nível coletivo, para favorecer asescolhas saudáveis no nível individual. A responsabilidade compartilhada entre sociedade, setor produtivo e setor público é ocaminho para a construção de modos de vida que tenham como objetivo central a promoção da saúde e a prevenção das doenças.Assim, é pressuposto da promoção da alimentação saudável ampliar efomentar a autonomia decisória por meio do acesso a informação para a escolha e adoção de práticas (de vida) alimentares saudáveis.

O estado nutricional e o consumo alimentar interagem emconjunto de maneira multifatorial e sinérgica como os outros fatores derisco para doenças crônicas não - transmissíveis. Os diferentes fatores de risco como inatividade física, uso de tabaco, entre outros precisamser abordados de maneira integrada a fim de favorecer a redução dedanos e não a proibição de escolhas. O conjunto das ações adotadas pelos estilos de vida é que produzem um perfil de saúde mais ou menos adequado e neste enfoque não é possível particularizar os fatores de risco sem enxergá-los sinérgica e simultameamente associados no âmbito do desenvolvimento da vida.

 

 

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Uma alimentação saudável, de um modo geral, deve favorecer odeslocamento do consumo de alimentos pouco saudáveis para alimentos mais saudáveis, respeitando a identidade cultural-alimentardas populações ou comunidades .As principais características de uma alimentação saudáveldevem ser:

1. Respeito e valorização as práticas alimentares culturalmente identificadas: o alimento tem significações culturais diversas que precisam ser estimuladas. A soberania alimentar deve ser fortalecida por meio deste resgate.

2. A garantia de acesso, sabor e custo acessível. Ao contrário do que tem sido construído socialmente (principalmente pela mídia) uma alimentação saudável não é cara, pois se baseia em alimentos innatura e produzidos regionalmente. O apoio e o fomento à agricultores familiares e cooperativas para a produção e a comercialização de produtos saudáveis como legumes, verduras e frutas é uma importante alternativa para que além da melhoria da qualidade daalimentação, estimule geração de renda para comunidades. A ausência de sabor é outro tabu a ser desmistificado, pois uma alimentação saudável é, e precisa pragmaticamente ser, saborosa. O resgate do sabor como um atributo fundamental é um investimento necessário à promoção da alimentação saudável. As práticas de marketing muitas vezes vinculam a alimentação saudável ao consumode alimentos industrializados especiais e não privilegiam os alimentosnão processados e menos refinados como por exemplo, a mandioca que é um (tubérculo) alimento saboroso, muito nutritivo, típico e defácil produção em várias regiões brasileiras e tradicionalmente saudável.

2.1. Variada: fomentar o consumo de vários tipos de alimentos que forneçam os diferentes nutrientes necessários para o organismo,evitando a monotonia alimentar que limita o acesso de todos osnutrientes necessários a uma alimentação adequada.

3. Colorida: como forma de garantir a variedade principalmente emtermos de vitaminas e minerais, e também a apresentação atrativa dasrefeições, destacando o fomento ao aumento do consumo dealimentos saudáveis como legumes, verduras e frutas e tubérculos emgeral;

4. Harmoniosa: em termos de quantidade e qualidade dos alimentosconsumidos para o alcance de uma nutrição adequada considerandoos aspectos culturais, afetivos e comportamentais;

5. Segura: do ponto de vista de contaminação físico-química ebiológica e dos possíveis riscos à saúde. Destacado a necessidade degarantia do alimento seguro para consumo populacional.As práticas alimentares saudáveis devem levar em consideraçãotambém algumas modificações históricas que ocorreram com atransição nutricional relativa a vários aspectos como:A modificação dos espaços físicos no compartilhamento dasrefeições e nos rituais cotidianos acerca da preparação dos alimentos; As mudanças ocorridas nas relações familiares e pessoais com adiminuição da freqüência de compartilhamento das refeições emfamília (ou grupos de convívio) cotidianamente;A perda da identidade cultural das preparações e receitas com achegada do “evento social” da urbanização/globalização econseqüente industrialização de alimentos que hoje se apresentampré-preparados ou prontos para o consumo ;A desagregação de valores sociais e coletivos que vemculturalmente sendo perdidos em função das modificações acimareferidas e; O papel do gênero neste processo quando a mulher assume avida profissional como extra- domicílio, porém continua historicamenteacumulando a responsabilidade sobre a alimentação da família. A atribuição feminina no trânsito entre o ambiente do trabalho edoméstico se coloca como um novo paradigma da sociedade modernaque não tem criado mecanismos de suporte social para adesconcentração desta atribuição enquanto exclusivamente feminina.A II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricionalocorrida, em Olinda-Pe, em março de 2004, em seu relatório finalassume efetivamente a obesidade juntamente com a desnutrição umamanifestação de Insegurança Alimentar e Nutricional tendo no seu escopo ações estratégicas para a formulação da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

A inclusão da obesidade no contexto da Segurança Alimentar eNutricional(SAN) agrega o valor a dimensão qualitativa, já explicitadano conceito de segurança alimentar e nutricional. Segurança Alimentare Nutricional (SAN) é a realização do direito de todos ao acessoregular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidadesuficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo por base práticas alimentares promotoras de saúde,que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica eambientalmente sustentáveis. Desta forma fica claro que além dasdimensões de quantidade, regularidade e dignidade a qualidade torna-se também uma referência objetiva, por meio da Alimentação Saudável. A partir desta conferência, a alimentação saudável seincorpora definitivamente a busca pela garantia da SAN.

Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição
Anelise Rizzolo de Oliveira Pinheiro
Elisabetta Recine
Maria de Fátima Carvalho

 


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